sexta-feira, 4 de maio de 2012

Desabafando...

Estou cansada de virar noite corrigindo provas, fechando diários, tentando cumprir o tal do Currículo Mínimo e tentando planejar tudo o que trabalho com meus alunos, atenta ao que deu certo e ao que não deu, para que possa, assim, saber que novos caminhos seguir, mas... Por que tenho sempre a impressão de que estou "remando contra a maré"?!? Governo querendo camuflar limitações e fracassos do sistema, enfiando-as debaixo do tapete, cada dia mais grosso e enoooorme, tudo em nome das "benditas" estatísticas! 

Não aguento mais ver comerciais falando super bem de melhorias na Educação que eu, diretamente dentro dela, não vejo, muito pelo contrário: noto um tremendo mar de facilidades e de retrocesso! Nunca vi tanta nota baixa em toda a minha vida e pior ainda: tanta indiferença dos alunos com relação a isso! Apavoro-me com tal fato; já eles... nem tchum! Nunca precisei dar recuperação da recuperação... e nem assim resolveu! Impotência. Falta de importância. Descrença. Desânimo.

Entristece-me ter de parar algumas aulas para dar broncas, como que se implorasse aos meus alunos para que prestasssem atenção à minha aula, ao meu discurso! Sinto-me incomodá-los, querendo falar sobre determinados assuntos enquanto há uma disputa injusta com a vontade incontrolável de tirar uma foto com seu celular ou conectar-se ao Facebook! E onde eu fico nisso tudo? Fico com vontade de gritar, cada vez mais alto, de me fazer verdadeiramente ouvir... de canto a canto... é uma dor imensa deixar filho pequeno em casa, privando-nos da presença um do outro, e sobrecarregando a minha mãe, e a mim, em três escolas, pra quê? Para ter que ainda convencer alguém de que a solução para todas essas mazelas está na Educação?!? 

Enquanto o grito quer sair, cada dia mais forte, sonoro, sinto-me vítima do volume decrescente... e vou diminuindo, recuando... até que um dia a paciência e a esperança pedirão licença para saírem de cena (até quando?) e aí me lançarei ao silêncio. Total. Talvez assim, às avessas, como estão tantos valores, eu me faça, naturalmente, ouvir. Ou nem mesmo assim...

Estou sozinha nesta ou alguém aí me entende?!?

9 comentários:

  1. O triste é que a culpa ainda é nossa, principalmente quando tentamos apontar a responsabilidade do aluno e das famílias no processo, pois afirmam que estamos jogando a culpa neles, quando apenas precisamos que cada um faça sua parte.
    É complicado... a educação (escolar ou da sociedade) perdeu a importância.

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  2. Estão nos fazendo desistir, pouco a pouco, será este o objetivo??

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  3. Olá, Andreia!!
    Sou de Itaperuna e a situação aqui é a mesma que relatou. Somos culpados por tudo e o nosso aluno sabe que não precisa fazer nada para ser aprovado. Todos temos consciência do fracasso. É só cobrança, cobrança... Um abraço e quero parabenizá-la pelas atividades postadas.Luciana.

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  4. Oi, Andreia!
    Também sinto-me assim. Impotente! Remando contra a maré. Até quando? Não sei... Após 35 anos de magistério tudo o que vejo e ouço me entristece.
    Beijos querida,você não está sozinha nessa,infelizmente.

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  5. Acabei de fazer um comentário...em um outro post seu..mas ou menos falando sobre isso...enquanto lia seu desabafo...estava me vendo...e exatamente como comentei no post sobre o gabarito do saerjinho...quando disse que apesar da nossa diferença de idades...me sinto muito proxima aos seus sentimentos...e já pudemos comprovar isyo várias vezes...mesmo sem nos conhecer, já nos conhecemos...impressionate....principalmente com os alunos do 1° ano pela manhã...a disputa entre prestar ateção ´minha aula e os atrativos tecnológicos, bolinhas de papel(?0, e o bate papo, sem se importarem que no 2° bimestre terão uma PU (prova única)...tudo precisa valer ponto(?)...fico pensando de quando estudei e tinha que comprar tudo: livros, uniforme( completo)... e a reprovação era feita sim sem a pressão de termos que dar a recuperação da recuperação, para um aluno que não está nem aí....de tirar média 5,0, o que aliás para ele esta nota é o máximmo....então "Corujinha"..estamos juntas nesta também....às vezs saio da sala tão frustada....que a vontade é não voltar a entrar na sala de aula...mas aí, vou para casa, dou uma descansada...faço o serviço doméstico, abro o pC...lanço notas, corrijo provas e redações, cuido do York que é um fofo( que minha filha deixou para eu cuidar até ela poder levá-lo), tomo banho...me arrumo e vou para a seguna escola...e tudo recomeça com as turmas do 3° ano noturno. Beijos amadinha.

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  6. Foram vinte e cinco anos vivendo a mesma situação...eu, se tivesse a sua juventude, partiria para outro trabalho; afinal, sonhos não enchem a barriga de ninguém. Você é jovem, sabe Português como poucos, com um vernizinho de Direito, passará num concurso para TJ ou TRT, ganhará muito melhor e será muito bem sucedida! Abraços da amiga que lhe quer bem-Sandra Prado

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  7. Realmente os erros não são apenas dos alunos, como dos pais, que não souberam educá-los direito.

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  8. Andreia Dequinha, quero parabeniz'a-la pelo Blog. Li seu texto e tamb[em me vi nele. Esse texto retrata exatamente o que tem acontecido com muitos de n[os, professores, que estamos tentando, tentando, at'e inovando, mas com a sensac'ao de remar contra a mar'e.
    Abraco, Eliane.

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  9. Andreia, acabei de ler seu post e me vi nele. Todas as angústias, tormentos, desesperança... Às vezes me acho um dinossauro (47 anos) e questiono se não sou eu, educado no velho sistema, que não estou conseguindo me adaptar ao novo.
    Pelo sim, pelo não, estou seguindo, apesar de tardiamente, um outro caminho. Curso Direito há 3 anos com pretensão de mudar de profissão. Já não tenho esperança na valorização da educação e, consequentemente, do professor. O que vale agora são as estatísticas e nós, para o sistema, não passamos de meros dados. Abraços.
    Danúzio Alves.

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