segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Lavadeiras de Moçoró" (Carlos Drummond de Andrade)

Lavadeiras de Moçoró


As lavadeiras de Moçoró, cada uma tem sua pedra no rio; cada pedra é herança de família, passando de mãe e filha, de filha a neta, como vão passando as águas no tempo. As pedras têm um polimento que revela a ação de muitos dias e muitas lavadeiras. Servem de espelho a suas donas. E suas formas diferentes também correspondem de certo modo à figura física de quem as usa. Umas são arredondadas e cheias, aquelas magras e angulosas, e todas têm ar próprio, que não se presta a confusão.

A lavadeira e a pedra formam um ente especial, que se divide e se unifica ao sabor do trabalho. Se a mulher entoa uma canção, percebe-se que a pedra a acompanha em surdina. Outras vezes, parece que o canto murmurante vem da pedra, e a lavadeira lhe dá volume e desenvolvimento.

Na pobreza natural das lavadeiras, as pedras são uma fortuna, joias que elas não precisam levar para casa. Ninguém as rouba, nem elas, de tão fieis, se deixariam seduzir por estranhos.

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Que palavras e expressões o autor usa para falar da hereditariedade das pedras do rio?

02) Como o autor descreve fisicamente as lavadeiras? Compare a descrição com a das pedras:

03) Como a ideia de trabalho relaciona pedra e lavadeira?

04) Destaque algumas expressões empregadas conotativamente no texto:

05) Imagine se o autor tivesse usado menos "imagens", tivesse usado outras palavras para falar sobre o trabalho das lavadeiras de Moçoró. O texto poderia continuar como literário? Por quê?

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