sábado, 23 de julho de 2011

A escola dos meus sonhos, da Denise Fraga



Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orleans e Bragança. Não sei por que, mas nunca mais me esqueci do nome inteiro da princesa Isabel. Entra ano, sai anom e ele continua na minha cabeça. Pra que serve saber o nome todo da princesa Isabel? Pra nada. A não ser para dizer aos seus amigos que você sabe disso aos 44 anos, mesmo que o tenha decorado aos onze. E por que o decorei? Sei lá. Lembro o nome inteiro da princesa Isabel, mas sou incapaz de me lembrar por que o tenho na cabeça. Coisinha ainda desconhecida esse nosso cérebro, não?

Sei de cor algumas datas da historia do Brasil, algumas capitais, a tabuada e, curiosamente, algumas palavras ainda flutuam em minha mente, completamente desvinculadas de seu significado. Logaritmo, por exemplo. Não tenho a menor ideia do que seja logaritmo.

Quando vejo meus pequenos às voltas com suas intermináveis lições, nunca deixo de pensar, muito secretamente, qual será a exata serventia de todas essas coisas que ainda se ensinam nas escolas. Sei que lá também se aprendem regras de convivência, raciocínio lógico etc. e tal, mas será que não existem coisas mais "inesquecíveis por natureza" para ocupar, por exemplo,  o lugar das cadeias de carbono e hidrogênio?

Nunca vi serventia pra tal quebra-cabeça, a não ser aumentar minha preguiça para a aula de química. E quebra-cabeça por quebra-cabeça, um jogo de xadrez talvez ensinasse tanto quanto. É provável que existam pessoas que adorassem as aulas de química, independentemente de, como eu, terem seguido carreiras bem distantes dos laboratórios, mas não consigo deixar de pensar que, se ensinassem investigação de pequenas alegrias no lugar de química, e deixassem a química pra quem quisesse trabalhar com ela algum dia, o mundo seria melhor até pros químicos.

Em vez de química 3, apenas um ano de química para conhecimento geral e vários anos de exercício do diálogo, poe exemplo. Utopia. Mas que gostaríamos mais de ir à escola se nos ensinassem coisas que pudéssemos aplicar imediatamente em nosso dia a dia e durante toda a vida, lá isso é verdade. Por necessidade, não deletaríamos instantaneamente de nossa memória o que havíamos acabado de estudar para a prova. Talvez nem estudássemos para a prova.

Na escola dos meus sonhos, teria matemática para o raciocínio lógico, xadrez para o raciocínio projetado, esgrima para a leveza e para a rapidez dos reflexos, historia contada em historias, línguas, interpretação de texto, esportes, muitas idas ao teatro e ao cinema, literatura e arte em geral para a compreensão poética do mundo Apenas um ou dois professores, muito bem preparados e que ganhassem muito, muito bem para levar nossos filhos a andar pela cidade visitando bairros, fábricas, hospitais, conhecendo profissões, observando e apreendendo o mundo. Duas vezes por semana, aula de compreensão da imperfeição humana. Total utopia.

Nossa bandeira levar até hoje um "Ordem e Progresso" retirado da linda frase positivista: "O amor por princípio, a ordem como meio e o progresso por fim". Simplesmente, um dia, alguém achou que não teria problema tirar o amor e deixar só o ordem e progresso. Talvez tenha sido até por falta de espaço. Tiraram "só" o amor! A frase positivista não aprendi na escola, mas sei nosso imenso hino de cor, quantas estrelas temos na bandeira e o nome da princesa Isabel. Ah! Na escola dos meus sonhos, teria também uma matéria chamada amor por princípio. Perdoem-me. Só utopia.
(Denise Fraga)

Penso de forma bem semelhante à da Denise, atriz e escritora que eu tanto adoro, e mesmo se for pura utopia, está valendo! Mas certamente o ensino seria bem mais válido, eficaz e feliz! E você? Que tal criar um texto (ou ao menos um comentário aqui no blog) dizendo como seria a escola dos seus sonhos?!? Estou curiosa... 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário sobre o blog ou sobre esta postagem em especial!!! Vou amar saber o que você pensa!! Muito obrigada pela visita!!! Volte sempre!!!