domingo, 12 de junho de 2011

Esse texto MUITOOOO me encanta!!!

                     O menininho

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Quando o menininho descobriu que podia ir à sua sala caminhando  pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.

Uma manhã a professora disse:

-- Hoje nós iremos fazer um desenho.

Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos...  pegou a sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.  A professora então disse:

-- Esperem, ainda não é hora de começar!  Ela esperou até que todos estivessem prontos.

-- Agora! Nós iremos desenhar flores! -- disse a professora.

E ele começou a desenhar bonitas flores com seu lápis rosa, laranja e azul. A professora disse:

-- Esperem! Vou mostrar como fazer!

E a flor era vermelha com o caule verde.

-- Assim! – disse a professora -- Agora vocês podem começar!

O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde.

Num outro dia, quando o menininho estava em aula, ao ar livre, a professora disse:

-- Hoje nós vamos fazer alguma coisa com o barro!

Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então, a professora disse:

-- Esperem! Não é hora de começar! – Ela esperou até que todos estivessem prontos.—Agora! – disse a professora – Nós iremos fazer um prato.

Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:

-- Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar.

E o prato era um prato fundo.

O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.

E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.

Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. Esta escola era ainda maior do que a primeira. Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala.

Um dia a professora disse:

-- Hoje nós vamos fazer um desenho!

Que bom! – pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho disse:

-- Você não quer desenhar?

-- Sim, o que é que nós vamos fazer?

-- Eu não sei, até que você o faça.

-- Como eu posso fazê-lo?

-- Da maneira que você gostar.

-- E de que cor?

-- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual é o desenho de cada um?

-- Eu não sei!

E começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.

                                                                                                                                   (Helen E. Buckley)


01) Retire do texto uma antítese, explicando: 

02) Pelo texto, existem dois tipos de professoras. Caracterize cada uma delas:

03) Você acha que esse tipo de coisa existe mesmo nas escolas? Justifique sua resposta:

04) Você já se sentiu como o menino em algum momento? Comente:

05) Você acha que, com o tempo, com a nova professora, o menino voltaria a ter criatividade e segurança para desenhar as coisas do jeito dele? Ou já era muito tarde? 

06) Por que o menino não poderia dizer que preferia as coisas feitas do jeito dele? Explique: 

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

08) Analise morfologicamente as palavras destacadas no texto: 

09) O que você sentiu lendo, em especial, a última frase do texto? Comente: 

10) Crie mais um parágrafo para dar continuidade à história: 

2 comentários:

  1. Lindo este texto! É preciso deixar a criança livre para que ela se desenvolva. Veja como ele foi condicionado a fazer apenas o que a primeira professora indicava. Tornou-se dependente. E quando outra professora deixou-o livre para fazer o que quisesse, ele já não sabia mais. Como professores, precisamos incentivar a criatividade dos nossos alunos. Não basta ser reprodutor e sim inovador.

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  2. Conheci esse texto na faculdade e nunca mais esqueci! Me choca a atualidade dele, a demência com que tantos colegas manejam suas turmas, repetindo hábitos e atitudes antigas, mofadas, castradoras. Nossa, isso me dá uma raiva!! Aquela professora matou toda a vivacidade do menininho e qualquer tentativa de ressuscitação da criatividade e autonomia dele!!
    Muito bom!!!

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