segunda-feira, 6 de junho de 2011

A ausência de professores


Penso que todo trabalhador deve mostrar a sua insatisfação e vejo a greve como uma das formas dessas demonstrações, apesar de eu, a duras penas, ter aprendido que ela infelizmente não resolve mais nada, no caso dos professores. Estou achando um absurdo sem tamanho a perseguição do Sérgio Cabral aos bombeiros grevistas, assim como também fico boba quando vejo alguns profissionais reclamarem dos baixos salários, como se isso só acontecesse com eles! Sei que a situação está braba, e sei porque também a vivencio e não só porque acompanho as estatísticas, de longe.

Além dos baixíssimos salários, professor sofre com tantas pressões, cada vez maiores, e com novidades que a todo instante vão aparecendo e vão sendo jogadas e enfiadas goela abaixo, sem nenhuma explicação, e ai de quem não se adaptar correndo a elas! É perda de ponto, é não cumprimento de meta, é pagamento suspenso, é isso, é aquilo... Eu, sinceramente, estou de saco cheio de tudo isso e já decidi que, por mais que eu tenha boa vontade, e muitos colegas meus também, não vou ficar me matando para tentar fazer navegar uma canoa que já veio, por si só, com um rombo gigantesco e pronta para naufragar. Acompanhar o ritmo tem sido cada dia mais difícil, quase missão impossível, e por isso vejo tanta falta de professor nas escolas.

Antes de rotularem um professor ou outro de faltoso, deveriam conhecer melhor as maratonas de que ele participa diariamente para sobreviver e para pagar suas contas, tentando, ainda, preparar aulas atraentes e dinâmicas, e manter uma certa sanidade. Tenho visto muitos colegas adoecerem com tais pressões e com momentos de lazer roubados pela correria, pela falta de grana e pelo cansaço. Sinto-me, com tristeza, entrar para esse time.  Por isso tenho também me permitido faltar quando preciso. E não só quando meu filho adoece, quando minha mãe adoece, quando eu adoeço, mas quando sinto que isso está prestes a acontecer. O corpo dá sempre sinais e cansei de fingir que não noto. Hoje noto, atentíssima, e lamento que meus alunos fiquem sem aulas, de vez em quando, mas minha sanidade está em primeiro lugar. O tempo nos ensina a ter esse espírito de sobrevivência!

2 comentários:

  1. Amei este post! Infelizmente sabemos que há professores faltosos porque gostam mesmo, mas em sua maioria, acredito eu, os docentes faltam às aulas por necessidade mesmo. Eu sou uma delas. Detesto faltar. Meus alunos sabem que se falto é porque fiquei doente. Nunca faltava. Só quando não tinha jeito mesmo. Muitas vezes eles até "reclamam" que eu nunca falto. rs Sou do mesmo jeito de quando era apenas aluna. Era caxias demais.

    Quanto à greve, sei que ela prejudica não só os alunos mas também os professores, pois o calendário tem de ser refeito e as férias ficam comprometidas. Ainda assim é o nosso único meio de reivindicação. Por aqui, estamos em greve há 15 dias, foi necessário pois apesar de todas as tentativas para evitar este recurso, o governo não nos atendeu e restou-nos decretar greve. E o pior de tudo é aturar o Governo com propaganda enganosa na TV. Promete uma coisa e divulga outra. É revoltante!

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  2. Zizi disse:
    Concordo com vocês duas, meninas! Estamos navegando em barcos semelhantes, em lagos diferentes mas a água é a mesma.Tantas adversidades acabam com a nossa saúde:questões externas e internas da escola. Faltar é um direito em qualquer profissão. Por que essa perseguição com relação aos professores? Por que só eles tem que ser perfeitos num mundo tão desprovido da perfeição?

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