quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Rastro de escândalo

Os bombeiros chegaram em menos de dez minutos. Eis a única informação positiva que se pode colher do noticiário sobre o incêndio no Instituto Butantan, em São Paulo, ocorrido no sábado.

Enquanto se avalia a dimensão dos prejuízos ao seu acervo científico, a maior do mundo na área, pupulam evidências de descaso na instituição.

Uma coleção iniciada há 120 anos, com cerca de 580 mil exemplares de animais, entre cobras, aranhas e escorpiões, estava depositada num galpão que possuía, como único recurso de combate ao fogo, extintores acionados manualmente. 

Sem um sistema adequado de prevenção, eram previsíveis os efeitos devastadores de qualquer faísca elétrica naquele ambiente, onde milhares de espécimes eram conservados em álcool.

Quanto custaria instalar dispositivos automáticos de combate ao fogo no local? O orçamento existia, e não era exorbitante: calcula-se que, por R$ 1 milhão, o sistema teria sido implantado.

Não é que faltasse verba. O Instituto Butantan recebeu, entre 2007 e 2008, tal montante de recursos para realizar obras de infraestrutura; foram utilizados para outros fins. A solicitação para equipamentos anti-incêndio, que teria sido feita, perdeu-se nos desvios da burocracia. 

Definitivamente, R$ 1 milhão não era tanto dinheiro. Em especial quando se toma conhecimento dos R$ 35 milhões que, segundo o Ministério Público, foram subtraídos da Fundação Butantan, braço operacional do instituto, por funcionários do seu segundo escalão. 

Os cientistas do Butantan agora tratam de avaliar a perda e de buscar, em instituições similares, ajuda para repará-la. 

Não é necessário, todavia, ser especialista em serpentes -- nem em investigações criminais -- para detectar nesse episódio o rastro, amplamente conhecido na administração pública, do descuido e do escândalo. 

(Folha de São Paulo - 20/05/10) 


01) O editorial manifesta o ponto de vista do jornal a respeito de um fato. Que fato é esse? 

02) Qual o ponto de vista do jornal a respeito desse fato?

03) Delimite no texto as suas três partes essenciais: introdução, desenvolvimento e conclusão:

04) Qual a tese (ou ideia principal) do texto?

05) Qual é a ideia desenvolvida no terceiro parágrafo? E no quarto?

06) No quinto parágrafo, que questionamento o jornal faz?

07) Qual é a resposta dada pelo próprio jornal a esse questionamento?

08) O editorial em questão apresenta uma conclusão do tipo síntese (resumo) ou do tipo proposta? Justifique sua resposta:

09) Que variedade linguística é adotada no texto?

10) Que pessoa gramatical predomina no texto? O que isso revela?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um conto africano...

Furos no Céu

Houve um tempo em que o Céu e a Terra eram muito próximos um do outro. Diziam que da torre do palácio se podia colher um ramalhete de nuvens, rabiscos de pássaros, carneirinhos saltitando...

Esta história aconteceu numa aldeia africana. Havia tanta luz naquele dia que duas mulheres pegaram seus pilões para amassar grãos de milho no quintal de casa. Elas diziam amar a claridade e o festejo da lua cheia. Tudo era muito mágico. 

Assim, trocavam mexericos e gargalhadas narrando histórias, que as levaram longe, longe. Naquele converseiro o tempo ia passando e as histórias se derramando, feito um rosário de ave-marias. Uma das mulheres, entusiasmada com a conversa, levantou a mão do pilão com tanta força e tao alto, que fez um furo no Céu. 

O Céu tomou um susto ao ver aquele furo e desabou a berrar. Elas de tão entretidas nem ouviram, continuaram em sua conversa, pisando nos seus pilões. 

Assim o infinito azul foi ganhando furos e mais furos. Aquelas mulheres jamais imaginavam que seus pilões iam transformando o Céu numa verdadeira peneira. O Céu irado, da cor das violetas, gritou mais que um tanto: 

-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! 

O grito chamou a atenção das mulheres, que olharam para o alto e disseram: "Vai chover". Diziam uma para a outra: "Avia, avia, avia... Recolhe o milho e o pilão..." Parecia uma cantoria. 

Indignado, o Céu resolveu ordenar ao tambor em tom de autoridade:

"Toque alto, por favor!
Atravesse portas e janelas
Chegue aos ouvidos das piladeiras
Convidando-as a me olharem
Sob as sete luas que as iluminam."

Elas, encantadas pelo soar do tambor, aproveitaram para dançar. A cadência foi crescendo, crescendo, crescendo. O Céu achou bonita aquela dança, que alegrava o seu universo. Mas nada podia mudar sua decisão de separar-se da Terra. Ou subia ou ficava todo furado. Foi subindo, subindo, até chegar num lugar perfeito: nem tão perto que alguém pudesse tocá-lo com a mão do pilão, nem tão alto que ninguém pudesse vê-lo. 

E não é que ele sentiu saudades do tum-tum-tum do tambor, do barulho dos grãos no pilão, das histórias das mulheres e de suas canções?! Foi então que o Céu teve a ideia de transformar os furos que as mulheres haviam feito em estrelas, para que pudesse continuar espiando as coisas da terra.

Satisfeito, o Céu sorriu, E foi contando essa história de aldeia em aldeia, com a intenção de que ela se espalhasse pelo mundo e pudesse ser contada e recontada onde houvesse alguém para escutá-la. 

Assim, segundo os africanos, nasceram as estrelas do céu, pontinhos luminosos no azul, para iluminar a África. 

(Lenice Gomes) 

01) Em muitos contos, o narrador inicia situando o tempo e o espaço em que ocorrem os fatos. Identifique, no segundo parágrafo, as expressões adverbiais que expresssam essas informações:

02) Que tipo de narrador conta a história em questão? Justifique sua resposta com uma ou mais passagens do texto:

03) Identifique a protagonista e explique sua importância para o enredo:

04) Podemos afirmar que o enredo do conto é um mito de origem? Explique: 

05) Esse conto faz parte da tradição oral africana, que passa de geração para geração. Retire do texto uma parte em que isso fica claro: 

06) No sexto parágrafo, justifique o emprego do travessão: 

07) Qual o efeito de sentido provocado pelo alongamento do "i" na fala do Céu, que aparece destacada no texto?

08) Explique o efeito semântico conseguido através da repetição da palavra "crescendo" presente no décimo parágrafo:

09) Quando, em geral, se emprega o gerúndio? Se fosse "crescia, crescia, crescia" em vez de "crescendo, crescendo, crescendo", o efeito de sentido se manteria? Por quê?

10) Céu e Terra estão escritos no texto com letras iniciais maiúsculas. Por quê?

11) O conto retrata, pelo menos, três costumes de moradores de aldeias africanas. Quais?


12) O conto em questão foi extraído do livro acima. Descreva a ilustração da capa: 

13) No que você acha que a menina está pensando? Comente: 

14) Observando, especialmente, o semblante da menina e o jeito curioso do macaco, o que podemos imaginar que está acontecendo? 

domingo, 27 de novembro de 2016

Um pequeno conto saindo do forno...

Uma atividade que costuma dar muito certo é você fornecer os elementos básicos da narrativa e pedir aos alunos que produzam um pequeno conto (tais elementos fornecidos já encaminharão os alunos para a produção de um conto de animais). Por exemplo: 



-- Quem? Os ratos?
-- O quê? Decidiram chegar até o céu.
-- Onde? Na floresta.
-- Quando? Quando os bichos falavam.
-- Como? Subindo um em cima do outro.
-- Por quê? Queriam pegar a lua, que imagnavam ser um grande queijo. 

Mas você pode escolher qualquer trecho que achar que pode "dar pano pra manga"!!! Experimente!!! E, se possível, depois volte aqui para contar como foi, tá?!? 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Inútil (Ultraje a rigor)

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indignete

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem pra botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede grana e não consegue pagar

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
A gente escreve peça e não consegue encenar
A gente joga bola e não consegue ganhar

Inútil
A gente somos inútil

(Ultraje a rigor)

01) Que problemas são criticados na música? Cite-os, colocando em uma escala de prioridade, de importância, para você:

02) Transcreva essa letra de música  para a linguagem comum, seguindo a norma culta: 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Exercícios sobre Coerência

Leia os enunciados que seguem e diga se há ou não coerência. Caso ocorram incoerências, aponte-as:

a) Maria tinha feito o almoço, quando chegamos, mas ainda estava fazendo.

b) Pedro não foi ao shopping, entretanto,  estava doente.

c) A caturrita estava grávida.

d) Mário foi à solenidade, todavia, ele não fora convidado.

e) Mário foi à solenidade, todavia, ela não fora convidada.

f) Mário foi à solenidade, porque fora convidado.

g) Mário foi à solenidade, todavia, porque não foi convidado.

h) Mário foi à solenidade, todavia, porque não fora convidado, pediram-lhe que se retirasse.

i) Mário não foi à solenidade, embora tivesse sido convidado.

j) Aninha era uma menina que sonhava em possuir um patinete, sempre que via Paula brincando com o dela. Imaginava como seria bom se pudesse andar no patinete da amiga. Certo dia, Paula esqueceu-o na casa de Aninha, e esta resolveu brincar de bonecas.

sábado, 12 de novembro de 2016

Aquecendo os motores com HQ do Garfield!!!


A atividade acima foi usada hoje, em pleno sábado letivo, como "aquecimento" para a "Maratona de Matemática"!!! Os alunos tinham que recortar cada quadrinho e colá-los em uma outra folha, numa ordem que fizesse algum sentido para eles. Em seguida, tinham que criar falas e pensamentos para os balõezinhos, envolvendo, de alguma forma, o assunto à Matemática -- a protagonista do dia. 

Desta vez eu fiz com o Garfield, e misturei três histórias que nada tinham a ver uma com a outra, mas, pasmem, eles sempre conseguem fazer (e bem) as "costuras" necessárias (claro que a gente não precisa revelar que tem mais de uma história ali, se não já começarão a falar que é "missão impossível" ou qualquer coisa do gênero! he he he).

Você pode utilizar tirinhas do Hagar, do Recruta Zero... o que bem quiser! Todas funcionam muito bem! Recomendo! 

Foi super divertido! Os alunos participantes adoraram e eu também! 

Depois eu compartilho as outras atividades que também elaborei para este dia...!!! 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"O verbo e a verba", de Lenine


Rosebud (O verbo e a verba) 

Dolores, Dólares...

O verbo saiu com os amigos
Pra bater um papo na esquina
A verba pagava a despesa, 
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
por que foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afogou sua mágoa e dormiu.

O verbo gastou saliva, 
de tanto falar pro nada,
a verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cadáver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
Lágrimas de hipocrisia

Dolores, Dólares...
Que dolor que me da los dólares
Dólares, dólares...
Que dolor, que dolor que me da...

(Lenine)

01) Explique o primeiro verso da música, com as palavras "Dolores" e "Doláres":

02) Explique o que você entendeu com os dois versos destacados no texto:

03) Verba é o feminino de verbo? Que ligação ambas as palavras têm? E na música?

04) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente: